terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Bernard, na madrugada passada o sono deu-me para trás, talvez cansado de ser o escape das horas que não sabem passar. Revirava-me de um lado para outro na cama. A saudade era como fogo, e a madrugada queimava, queimava numa chama que se alimentava, por cada pensamento de amor que minha velha memória podia rebuscar.
A noite inflama rápidamente com os desejos dos quais meu corpo se arrefece, quando por vezes, em minutos de ligeiros sonhos que não duram mais que um estalo, acordo com as lágrimas roubando-me a face em soluços, apalpando o lado que logo percebo estar vazio, apenas ocupado da solidão, do oco de tua presença ao meu lado, sobra o teu travesseiro, e a cama parece não me caber mais, é desconfortável. A nostalgia é profunda, é fina e dolorosa como o corte de uma lâmina, e então desde que aqui a primavera se fez tempestade e neblina com muitas chuvas, é teu rosto que vejo embaçado na névoa do campo.
Volte meu amado! Venha me libertar das noites testemunhas dos momentos que meus olhos não podem cerrar-se, a sonhar por alguns minutos contigo. Desventurosa minha alma resmunga, acaso nem mais nas vertigens de meus sonhos posso tê-lo? Para assim abraça-lo e amá-lo? Tão grande pesar é esse a quem só lhe deu amor?
Eu sinto tua ausência, e respiro somente pela esperança de que retornes, como lindas manhãs ensoladas surgem depois das noites tempestuosas.
Peço-te Bernard, não te demores, dá-me notícias! Rezo para que tua vida ainda seja cuidado por seres celestes nas dimensões do infinito, pois nesse silêncio penso o pior, e ao pensar já passam-me imensuráveis loucuras a cabeça.
Meu amor, o amanhecer todos os dias é pesar, como o corpo que desperta ainda adormecendo em solidão, e será assim até que as lacunas vazias que deixaste aqui, não sejam preenchidas por algo que somente tu podes me dar: teu amor.

De tua Eliza, que te protege com a alma.

[Não é conto. Acontece com frequencia!] ( creditos :
folhasdemeuoutono.blogspot.com )

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